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Comparação entre 3 Sistemas de osseodensificação em implantes dentários

A osteotomia pela técnica de perfuração não subtrativa com as brocas de osseodensificação, é uma técnica inovadora promovendo condensação lateral e apical aumentando o contato osso-implante. Esse estudo in vitro avaliou o torque e a micromobilidade após a fresagem com o kit Densah Versah, WF cirúrgicos e DSP Master Conical Densifiers em blocos sintéticos representando o osso de baixa densidade óssea (tipo III e IV) e a instalação de implante hexágono externo. A micromobilidade foi avaliada com auxílio do dispositivo Ostell Beacon (W&H Group, / Gotemburgo Suécia). O torquímetro mecânico DSP foi usado para verificar o nível de torque de inserção do implante na escala de força Newton (N). A micromobilidade foi maior para Versah; enquanto o torque de inserção foi maior na DSP. As maiores correlações foram positivas entre a micromobilidade MD e BL, ou seja, quanto maior o valor do MD, maior o valor do BL e vice-versa. Diferente do esperado a correlação entre torque e micromobilidade foi apenas fraca. Após a análise desses parâmetros pode-se concluir que em condições experimentais o alto torque do implante em osso de baixa densidade não esteve diretamente relacionado a menor movimentação

Introdução

As técnicas convencionais de preparação do tecido ósseo para a inserção do implante dentário são de natureza subtrativa(Tretto et al.,2018). No entanto, esta técnica não  é totalmente eficaz até certos limites em osso com baixa densidade, como na maxila posterior, promovendo uma estabilidade primária serção do implante na escala de força Newton (N). A micromobilidade foi maior para Versah; enquanto o torque de inserção foi maior na DSP. As maiores correlações foram positivas entre a micromobilidade MD e BL, ou seja, quanto maior o valor do MD, maior o valor do BL e vice-versa. Diferente do esperado a correlação entre torque e micromobilidade foi apenas fraca. Após a análise desses parâmetros pode-se concluir que em condições experimentais o alto torque do implante em osso de baixa densidade não esteve diretamente relacionado a menor movimentação. INTRODUÇÃO deficiente (Almutairi et al., 2018).  Os principais fatores que influenciam o aumento da estabilidade primária são a densidade óssea e o protocolo cirúrgico. O pico de torque de inserção está diretamente relacionado a densidade do osso hospedeiro sendo que o torque de inserção alto pode aumentar significativamente a porcentagem inicial de contato osso-implante (% BIC) em comparação com o implante inserido com baixos valores de torque de inserção. estima-se que a cada 9,8 N/ cm de torque aumentado existe uma redução de 20% na falha do implante (Pai et al., 2018). A preparação óssea sem subtração pode ser conseguida usando osteótomos, melhorando a estabilidade primária. Uma nova técnica de osteotomia, OD promete melhorar o contato osso implante aumentando a estabilidade primária (Slete et al. 2018).

As brocas OD proporcionam um aumento de concentração de partículas ósseas e um efeito de retorno ao centro da osteotomia criando uma compressão reversa do tecido ósseo no corpo do implante ( aumentando a estabilidade primária ) e também em implantes imediatos (exodontia seguido de instalação de implante). A combinação da técnica de preservação óssea com o método de osseodensificação do preparo do local do implante permitiu um aumento na estabilidade primária do implante, demonstrado pelo maior torque de inserção (Rosa et al., 2019). A expansão e deformação óssea promovida pela OD incrementa o efeito spring back (retorno do osso compactado em direção ao centro da expansão) proporcionado pela deformação elástica óssea, aumentando e mantendo o BIC, melhorando a estabilidade primária do implante. A largura mínima do rebordo alveolar deve ser de 3-4 mm devido ao trabeculado ósseo promovendo um volume mais espesso cercado por osso cortical (Koutouzis et al. 2019). As brocas de osseodensificação não possuem cortes, a irrigação durante a perfuração deve ser abundante para não gerar aquecimento excessivo durante a osteotomia. As brocas podem empurrar partículas ósseas para dentro do seio maxilar, promovendo um efeito de levantamento da membrana do seio maxilar(Bettach et al., 2023).

Materiais e métodos

Foram selecionados 11 blocos de osso (Nacional Ossos) representando o osso maxilar tipo IV, divididos em 53 faixas determinado os lados M(representando mesial), L(representando lingual), B(representando bucal) e D (representando distal) e 3 faixas representando V (fresa Densah Versah), W (fresa WF) e D (fresa DSP).

Figura 1 – Bloco de osso Nacional Ossos(foto autoria própria)

Foram realizadas 53 perfurações com as fresas Versah (figura 2) e WF(figura 3) com velocidade de 800 rpm no sentido anti-horário e 53 perfurações com as fresas DSP (figura 4) com velocidade de 800 rpm no sentido horário, usando um motor Driller BLM 600 PLUS, com o contra ângulo Driller push button 20:1.

Kit Densah Versah(foto autoria própria)
Figura 3 – Kit WF(foto autoria própria)
Figura 4 – Kit DSP(foto autoria própria)
Tabela 3 – Sequência de fresagem do kit DSP

Após a perfuração foram instalados os implantes DSP hexágono externo (HE) 3,5 X 11,5 mm com a chave digital até o travamento manual e depois foi usado um torquímetro para torquear até o nível ósseo e conferido o torque final. O SMARTPEG (corpo de alumínio e neodímio com preservação das roscas de titânio) (figura 5) foi aparafusado com o SmartMount (figura 6) na rosca interna do implante de maneira digital até o seu travamento.

O aparelho Ostell Beacon (figura 7) foi 11,5 mm fonte: autoria própria 11,5 mm Fresa 3.5 11,5 mm colocado próximo ao topo (sem tocar) do SMARTPEG em uma angulação de aproximadamente 90º (figura 8).

A mensuração da estabilidade do implante foi avaliada pelo ISQ (coef iciente de estabilidade do implante), com uma escala variando de 1 a 100, visto que a partir do valor de 60 ISQ a micromobilidade diminui exponencialmente. Um ISQ < 60 apresenta um risco maior de perda implante não sendo possível o carregamento com uma prótese imediata; ISQ 60 – 65 a fase cirúrgica deve ser separada da fase protética; ISQ 65 – 70 ativação precoce do implante; ISQ > 70 ativação imediata do implante (quadro 1).

Quadro 1 – Escala ISQ Fonte: https://implacil.com.br/osstell-beacon/ Os dados foram coletados originando os gráficos comparativos do torque e ISQ entre as 3 fresas de osseodensificação. A fresa densificadora DSP obteve o maior torque 48.02 N/cm, seguida de WF 32.55 N/cm e Densah Versah 28.40N/cm (Gráfico 1).

O ISQ em relação a aferição sentido MD mostrou um valor muito próximo entre WF 58.96 ISQ, DSP 58.70 ISQ e Densah Versah 57.66 ISQ (Gráfico 2), a relação de proximidade é a mesma no sentido BL com DSP 58.94 ISQ, WF 58.87 ISQ e Densah Versah 57.92 ISQ (Gráfico 3).

Gráfico 2 – Comparação do ISQ sentido MD entre as fresas Gráfico 3 – Comparação do ISQ sentido BL entre as fresas

Gráfico 3 – Comparação do ISQ sentido BL entre as fresas

Discussão

Não há necessidade de subdimensionar as osteotomias com osseodensificação. Em vez disso, é recomendável superdimensionar a osteotomia em casos de expansão do rebordo para evitar que a rosca do implante force o osso expandido durante a inserção do implante conforme demonstrou Koutouzis et al. 2019, porque as partículas ósseas nativas são deslocadas para os espaços trabeculares lateral e apical aumentando o volume ósseo (autoenxertia), com uma deformação óssea elástica que após a presença do implante vai retornar ao centro, diminuindo os micromovimentos nessa interface e aumentando a estabilidade mecânica segundo Sultana et al. 2020, diminuindo o problema da baixa qualidade óssea e também possibilitando a instalação do implante em cristas ósseas delgadas sem a necessidade de dividir essa crista (split crest) (Cáceres et al., 2020) As características mecânicas intrínsecas e a biocompatibilidade da espuma de poliuretano demonstrado por Comuzzi et al. (2019) têm sido aplicadas em diversas áreas médicas, incluindo engenharia vascular e ortopedia, suas características o tornam um material muito bom para testar diferentes materiais de implantes e padronizar os procedimentos excluindo as diferenças anatômicas e estruturais presentes no osso. As densidades baixas a altas das espumas de poliuretano são representativas de diferentes densidades ósseas, de acordo com a classificação do tecido ósseo D1-D4 proposta por Misch. Resultados positivos têm sido observados em estudos que comparam a técnica de preparo para osseodensificação e a técnica convencional de preparo de implantes em blocos de poliuretano em diversas densidades em que a técnica de densificação óssea tem mostrado vantagens, conseguindo uma melhor estabilidade primária em comparação com a técnica tradicional (Ichingolo et al. 2021).

Conclusão

O sistema DSP apresentou menor micromobilidade, com um maior torque e um maior travamento do implante em comparação com o sistema WF e Densah-Versah em osso de baixa densidade. Durante a evolução da pesquisa, foi demonstrado que o aumento no torque de inserção com as fresas osseodensificadoras não está relacionado diretamente com uma maior estabilidade, pois os resultados do Ostell foram similares entre as 3 fresas apesar do maior torque da DSP, levantando um questionamento sobre uma convenção na implantodontia, onde quanto maior o torque de inserção, maior a estabilidade do implante.

Referências

• Almutairi AS, Walid MA, Alkhodary MA. The effect of osseodensification and different thread designs on the dental implant primary stability. F1000Res. 2018 Dec 5;7:1898 • Bettach Raphael, Boukhris Gilles, Aza PN, Costa EM, Scarano Antônio, Fernandes GVO, Gehrke SA. New strategy for osseodensifcation during osteotomy in low density bone: an in vitro experimental study. Scientifc Reports  (2023) 13:11924 • Cáceres Felipe, Troncoso Cristian, Sila Rámon, Ointo Nelson. Effects of osseodensification protocol on insertion, removal torques, and resonance frequency analysis of BioHorizons® conical implants. An ex vivo study. Journal of Oral Biology and Craniofacial Research 10 (2020) 625–62 • Comuzzi Luca, Iezzi G, Piatelli A, Tumedei M. An In Vitro Evaluation, on Polyurethane Foam Sheets, of the Insertion Torque (IT) Values, Pull-Out Torque Values, and Resonance Frequency Analysis (RFA) of NanoShort Dental Implants. Polymers 2019, 11, 1020 • Ichingolo AD, Inchigolo AM, Bordea IR, Xhajanka E, Romeo DM, Romeo M et al. The Effectiveness of Osseodensification Drilling Protocol for Implant Site Osteotomy: A Systematic Review of the Literature and Meta-Analysis. Materials 2021, 14, 1147 • Koutouzis T, Huwais S, Hasan F, Trahan W, Waldrop T, Neiva R. Alveolar Ridge Expansion by Osseodensification-Mediated Plastic Deformation and Compaction Autografting: A Multicenter Retrospective Study. Implant dentistry / volume 28, number 4 2019 • Pai UY, Rodrigues SJ, Talreja KS, Mundathaje M. A novel approach in implant dentistry. The Journal of Indian Prosthodontic Society | Volume 18 | Issue 3 | July–September 2018 • Rosa JCM, Rosa ACPO, Huwais S. Use of the Immediate Dentoalveolar restoration technique combined with osseodensification in periodontally compromissed extracion sites.  The internacional journal of periodontics e restorative dentistry, volume 39, number 4, 2019 • Slete FB, Olin P, Prasad H.  Histomorphometric Comparison of 3 Osteotomy Techniques.  Implant dentistry / volume 27, number 3 2018 • Tretto PHW, Fabris V, Cericato GO, Bachi A. Does the instrument used for the implant site preparation influence the boneimplant interface? A systematic review of clinical and animal studies.  Int. J. Oral Maxillofac. Surg. 2018


Por Dr. André Luís Onodera

Especialista em Implante • Especialista em Farmacologia Clínica • Habilitado em sedação inalatória • Mestre em implante

Dr. Edson Marcus Cezário

Doutor em Implantodontia • Mestre e Especialista em Periodontia • Membro da Academia Brasileira de Odontologia • Patrono da Academia de Odontologia do RJ • Coordenador da Comissão de Implantodontia do CRO/RJ • Coordenador da Especialização em Implantodontia – IOM Cursos Coordenador de Implantodontia – Uni São José • Prof. da Especialização e Mestrado em Implantodontia – SL Mandic/RJ

Dr. Rogério Romeiro

Especialista em CTMBF • Especialista, Mestre e Doutor em Implantodontia • Doutor em Biopatologia Bucal • Pós-doutor em Periodontia • Pós-doutor em Engenharia de Materiais • Coordenador dos Cursos de especialização e mestra do em HOF e Implantodontia da São Leopoldo Mandic

Dr. Douglas Sampaio

Especialista em Dentistica Restauradora. FOP Unicamp • Especialista em Implantodontia UNITAU • Mestre em Implantodontia São Leopoldo Mandic. Campinas

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